
quinta-feira, 17 de novembro de 2011
Os olhos.

terça-feira, 25 de outubro de 2011
Querido.

Querido, devo confessar que sabia que assim seria. Eu iria mais cedo ou mais tarde senti-lo pulsando fortemente em meu peito como um pássaro que voa rumo ao desconhecido e finalmente encontra seu lar. Tentei com todas as forças me conformar de que certo não seria, nem comigo e nem contigo, mas não sou de conformismos. Por isso choro, toda vez que em meu travesseiro repouso minha cabeça, pois não consigo aquietar meu coração. Lembro-me deste teu sorriso de menino moleque que parece sempre querer algo mais, algo que é indecifrável. Decidi então entregar-te meu único bem. Aquele que carrego em meu peito e protejo para que possa permanecer o mais intacto possível, assim que gostaria de entregá-lo. Por inteiro, de uma só vez e não aos poucos, pedaço por pedaço... Sempre me achei como um som de cazuza que se diz ‘exagerado’. Assim que me sinto na maioria das vezes. Sinto como se deve sentir: amor – paixão – gostar – estar afim. Enfim.
Estou traindo a pessoa que sou para poder dizer-te isto, mas não queria que você partisse sem ao menos saber o que se passa dentro de mim. Imagino que seja meio confuso para você, mas é assim que me sinto a maioria do tempo e nem ao menos sei explicar do que se trata. São tantos sentimentos saltando por entre meu interior ao mesmo tempo, é impossível assimilar. Só queria que soubesse que se existia algum orgulho em mim, ficou para trás, detrás da porta do quarto em que o vi, não pela primeira vez, mas por um ângulo diferente. Com novos olhos. Enfim... Entreguei-o tudo aquilo que me pertencia e então chegamos nesse impasse, metade a metade. Parte sua diz que sim e outra que não. Qual delas representa sua verdade? Passei a observar seus olhos, esses não mentiriam, por mais treinados que fossem. Tentei ler seus sinais, por mais confusos que me pareciam, e me vi perdida. Presa em uma estrada com dois caminhos e não sei qual dos dois trilhar. Mas não continuarei com melodramas baratos de boteco de esquina... Só quero dizer que amo o jeito que você faz eu me sentir e não queria perder isso, mas se tiver que ser assim, assim será. Apenas não se esqueça em nenhum momento que eu amo a pessoa que você é. Do jeito que é, não importando o que. É você, desse mesmo jeito que me agrada e que me faz feliz, nesse pouco tempo, nos pequenos momentos em que fomos nós dois apenas. Os meros detalhes. Guardei cada pedacinho de ti em minha memória. Foram esses detalhes que a princípio pareciam insignificantes e me pegaram. Não vou esquecer-me disso, jamais. As boas coisas devem ser imortalizadas, como uma canção.
Adoro-te, queria poder dizer: amo-te. Mas talvez seja cedo ou tarde demais.
sexta-feira, 16 de setembro de 2011
Nocivo.

Quando mirou para dentro de si, estava apegado a algo que até então desconhecia. Embora duvidasse, possuía um grande otimismo e se agarrava a qualquer fiasco de esperança. Pensava que valia à pena acreditar em algo, ou não existiria razão para se estar vivo. Magia... Sua busca era infindável, ele queria a bendita magia. O descompasso do coração. Aquele sentimento infeliz que todos se agarram desesperadamente. Todos querem sentir esse infortúnio. Ele também queria, e por que não haveria de querer? Não é atrás desse mal que vivem os homens? E ele era como todos... E eu com a minha ingênua concepção de que ele não iria querer tocar no tão desejado pote d’ouro: ‘ Ninguém irá se machucar dessa vez, sem mais dramas ‘. Sem mais dramas, seria o mesmo que dizer: sem mais vida. Eu só queria saber: quem diabos o permitiu plantar esse sentimentozinho infeliz em seu coração?E não ouse dizer que fui eu, não me culpo por isso. Eu fiz o que tinha que ser feito, fiz tudo como estava escrito no manual: diga sempre a verdade. E eu disse... ‘Eu não o quero (pelo menos não mais). Eu já o vi uma vez, já o senti. Eu sei do que ele é capaz. Não deixe que a magia o engane, esqueça as melodias e as pulsações. Nada disso compensa o estrago que ele pode fazer. ’ Mas ele era teimoso o bastante para querer, e ele queria... Ah, como ele queria aquela coisa nociva denominada: amor.
segunda-feira, 10 de janeiro de 2011
O conto do solitário .

segunda-feira, 19 de abril de 2010
Na janela .

O tempo passa. Os dias se repetem, parecendo os domingos. As cenas pausadas, como num filme. Nada muda. Apenas minha respiração e a chuva quando cai. O resto está guardado naquele quadro velho como lembrança.
Enquanto meus sonhos saltam pela janela do precipício, abro mais um de meus sorrisos falsos e ignoro. Todos os outros não notam minha presença, pois, ela se disfarça em minhas palavras. A vida continua para todos, menos para mim. Continuo imóvel. Só o vento bate em meus cabelos.
Sempre fui só. Nasci sozinha, morrerei sozinha. Os outros sempre se vão ou eu os deixo ir. Todos estão presos nas suas vidas agitadas, menos eu. Estou parada na janela. Para mim sempre foi essa monotonia. Só minhas memórias me compreendem.
Não tenho recordações felizes, apenas alegria passageira. Aquela que está presente em um sorriso e que logo foge à nossa face. O incógnito que me persegue. Só meu corpo está em casa, minha alma mora longe.
Apenas os mocinhos são felizes. Os mocinhos são perfeitos. Agora eu sei porque não conheço a felicidade, não sou uma mocinha. Na verdade, a maior parte do tempo eu sou invisível. É só uma questão de tempo até alguém notar que não há ninguém em casa. Enquanto isso, apenas espero o desconhecido.
terça-feira, 9 de março de 2010
Socapa .

Deparei-me com uma imagem dissimulada.
É apenas meu reflexo mascarado.
Meus olhos são como a cegueira;
Enxergam apenas uma claridade desfalcada,
A escuridão que cobre toda a pureza.
Meu coração choroso deixou que as luzes se apagassem,
E minh'alma se perdeu naquele labirinto.
A realidade está escondida debaixo desse véu incolor,
Jogá-lo-ei na imensidão do mar verde.
Deixarei que as ondas me guiem pela terra prometida.
Voarei além do céu azul e serei eternamente glorioso.
Minhas mentiras, assim como as rosas sem espinhos;
Brotarão, mas não poderão existir.
