terça-feira, 9 de março de 2010

Socapa .



Olhando fixamente no espelho que nada vê,
Deparei-me com uma imagem dissimulada.
É apenas meu reflexo mascarado.
Meus olhos são como a cegueira;
Enxergam apenas uma claridade desfalcada,
A escuridão que cobre toda a pureza.
Meu coração choroso deixou que as luzes se apagassem,
E minh'alma se perdeu naquele labirinto.
A realidade está escondida debaixo desse véu incolor,
Jogá-lo-ei na imensidão do mar verde.
Deixarei que as ondas me guiem pela terra prometida.
Voarei além do céu azul e serei eternamente glorioso.
Minhas mentiras, assim como as rosas sem espinhos;
Brotarão, mas não poderão existir.

terça-feira, 2 de março de 2010

O homem marcado.


Viajas ao sabor do vento, no intuito de levar aos corações alheios o encanto de tua carne. Ser pútrido em sua forma oval, mas em suas insígnias ninguém o vê como realmente é. Olhos não tão sutis passam a me comover. Lembre-se: não é apenas um jogo. Estou te esperando em meus sonhos, assim como em todas as noites sombrias. Menino leviano, sua pele morena me atrai como ímã. Não questione o que não deve ser compreendido!

Seu sorriso peculiar acabara de me prometer o paraíso. Já não me vejo em teu rosto com as mesmas expressões anteriores. Dance comigo apenas essa música. E poderás seguir adiante.

Ao tocar tuas marcas, relembrei-me de quem fui. Sangue de um deus derrame sobre mim tua paixão. Puro veneno pronto para me enlaçar. Aguardo a resposta do telegrama que deixei sob tuas marcas. Encontro-te no bosque do amor, ao som do relampejar. Não faça com que meu coração se parta a te esperar.


Ass: Tua outra face.

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Reviravoltas.




Um sorriso triste, e uma falsa promessa de felicidade são tudo que posso te oferecer. Minhas memórias se perderam como aquele vidro quebrado na sala. Cada verso que meus lábios recitam seus olhos vetam. Penso constantemente naquele momento sórdido que vive a me perturbar, rompendo a quietude dos meus dias. Meus lábios nunca esqueceram o teu beijo. Beijo vespeiro. Tal, que, não deixou aquietar-me. Lembro-me dos teus olhos cor de mel. Viciantes. Olhos que já não me enxergam. Mas eu ainda os cobiço. Tua tristeza me abate. Tuas mãos desajeitadas tocavam as minhas como em uma sinfonia. Sinto falta dessa plenitude. Meu corpo treme quando me vejo refletida em teus olhos. Minhas mãos anseiam o toque do teu corpo. Sinto falta dos fios do teu cabelo negro roçando em meus dedos. Mil e um entraram em minha vida, e o único que deveria permanecer se foi... Assim como a brisa da manhã, deixou uma saudade escondida do que nem se quer eu vi. O amor mal amado. O querer que não quis. Deixando um vazio em meus braços. Nem se quer fui feliz. E assim, como em um jogo de flor, levou o meu amor num piscar de olhos. Do bem querer ao mal me quis.

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Retratos.


Eu vejo um rosto cansado, suplicando por um pouco de carinho.
Olho para o chão das ruas, nelas a miséria reflete nas pobres almas que lá habitam.
Barrigas murchas e chorosas, implorando por um prato de comida.
Lágrimas de dor e angústia que não cessam com o tempo.
O lixo impuro que corrompe o verde das matas virgens.
Corpos caídos em pedaços, como se fossem vidros.
Mãos esperançosas estendidas, esperando por compaixão.
Crianças solitárias correndo de pés descalços. Sem brinquedos. Sem roupas.
Apenas com a inchada nas mãos... Mãos que contam suas tristes histórias.
Pais chorando pelos filhos. Filhos chorando pelos pais.
Perdidos em uma guerra, onde não há paz!
Brancos e negros se misturando como água e óleo.
O homem que revira os lixos em busca de sustento.
A segurança insegura de um jovem com arma nas mãos.
Árvores que lacrimejam entre as chamas de ódio.
Animais que clamam por piedade com seus rostos bondosos.
Eu vejo o homem que mata. Consciente ou inconscientemente.
Eu vejo o riso do rosto que jamais riu.
Alguma vez você viu?

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

O desencanto das flores.



Tire teus olhos de dentro de mim
Não quero ser uma ameaça ao teu sossego
Quero correr livre pelos campos
Cansei de contar minhas lágrimas mortas sobre o chão
Não espero que me traga flores
Tuas palavras cravadas em meu peito não me sustentam mais
O som da tua voz ressoa pelo vento
Não quero esta brisa tocando meu rosto
Não lute contra este vazio no teu coração
Grite ao longe até tua voz ultrapassar o vácuo
Olhe para ti, não te restaram lembranças de nós
Não te deixo um bilhete sobre a cama
Deixo minhas palavras em tua mente, elas nunca o libertarão
Criei coragem para esquecer os teus olhos
Criei asas para voar
Quero olhar para o mundo e me ver refletida em tuas águas
Fuja para Marte
Teu remorso será o bastante para saturá-lo
Finja que já não existo em ti, e fingirei não mais me entregar
Hoje de mim só resta o desencanto
Amanhã não mais existirá.

domingo, 18 de outubro de 2009

Olhos do mal.



É incrível o nível de preconceito que o ser humano é capaz de ter em relação às diferenças.Outro dia ia para minha caminhada como de costume, e me deparei com um homem que mais parecia uma mulher. Não era travesti, nem gay e nem simpatizante. Apenas tinha um estilo fora do comum. Ele estava saindo de sua casa e indo em direção ao supermercado, perto da rua onde eu estava passando. Ao sair na rua, atraía os olhares maldosos. O brilho daqueles olhares ofuscava sua timidez. As pedras eram lançadas, atingindo sua dignidade. Os gritos de julgamento o inibiam... Ele andava de cabeça erguida, tropeçando no seu orgulho, e mantinha um ar sereno. Aquela com certeza não era sua primeira vez no “mundo dos mortos”.
Parei para observá-lo, e fiquei surpresa como ele tem capacidade de suportar tal situação. Vivendo continuamente, e aprendendo a guardar os sentimentos que o resta. Vendo-o tão frágil e tão belo em sua exuberância, imagino como deve se sentir... Tal dor deve ser inexplicável. Imagino-o chorando por dentro. Como podem ser tão cruéis por apenas querer ter sua liberdade de escolha?As pessoas geralmente são muito boas em condenar as outras e não em serem condenadas...Assassinos, estupradores, ladrões, traficantes, e políticos corruptos são abraçados, beijados e aceitos pelos cegos. E pessoas de bem, porém, diferentes: são cuspidas para fora da sociedade, sem ao menos serem ouvidas... São sobrepujadas por motivos banais. Isso é injusto! Não só com eles, mas conosco também. Se pararmos para observar a nós mesmos, veremos que aqueles seres não têm um terço da culpa que nós possuímos.
Somos todos imperfeitos, embora as aparências enganem... Julgamos os outros porque somos incapazes de julgar a nós mesmos. Todos nós possuímos nossas falhas. Algumas são expostas, outras são ocultas. O importante é sabermos lidar com elas, e não condenarmos os outros por sermos ignorantes. Não tenha medo de ser quem é. Seja alto, baixo, magro, gordo, branco, negro, rico, pobre, gay ou apenas diferente... O importante é ser feliz!Pois como diz o ditado: ‘’quem tem telhado de vidro, não atira pedra no dos outros. ‘’

domingo, 27 de setembro de 2009

Vaidade...Doce pecado, veneno amargo.



‘’ Espelho, espelho meu... Existe alguém mais belo do que eu? ‘’

A busca sem limites pela vaidade pode trazer sérios danos à saúde.
No dicionário da vaidade, não há espaço para modéstia. Pelo contrário! Para as mulheres: lábios carnudos, cintura modelada, seios fartos e rosto de boneca. Para os homens: corpo definido (típico de superman ), rosto masculinizado, mas com um toque de delicadeza e cabelos bem tratados. Esse é o padrão de beleza imposto. A vaidade em excesso é um mal que consome a todos que cruzam seu caminho e, deixa cicatrizes que muitas vezes não desaparecem.
Há aquela vaidade sadia, da qual todos nós precisamos para nos sentirmos belos. Mas há também um vírus doentio, que quando se aloja em nosso subconsciente dificilmente consegue-se livrar. Ela suga nosso ‘’bem’’ mais precioso: o bem- estar.

O ‘’comum’’ se tornou o motivo de tanta insatisfação. A descoberta da possível ‘’perfeição’’ tem alterado os neurônios das pessoas. Muitos homens e mulheres se sujeitam a transformações estéticas para conseguir como em um passe de mágica: tornar-se príncipes ou princesas. Mas nem sempre é esse o resultado obtido. Não se quer mais ser ‘’comum’’.

Mas afinal, o quê exatamente é ser comum? Rostos e corpos abaixo da linha do surreal?
A verdade é que, à medida que passa, a vaidade tem dominado o mundo completamente, mexendo com a psique humana; seja através da mídia, revista, internet ou outros meios. Tudo ao nosso redor contribui para isso. Até no simples fato de você sair de casa e encontrar alguém mais ‘’arrumado’’ que você. E com isso acabou-se a originalidade, a liberdade de expressão e mental. Vale tudo para tentar driblar a lei da gravidade. O ser que antes era único, hoje não passa de uma cópia.

Pare e pense: Quantos Brads e Giseles existem no mundo afinal? É assustador não?
As pessoas mudam para enquadrar-se nos padrões de beleza criados pelo - e para - o homem. Para se sentir aceito. Para que não haja rejeição, objeção. Alguns até acabam por cometer suicídio mental, entregando-se a obscuridade. Ah! Maldito seja o criador do espelho.
Mas eu pergunto a você: para quê tudo isso? Gosto é algo tão relativo! Não se pode ser aceito por todos, se você mesmo não se aceita. De quê te adiantaria ser perfeito, se o melhor da vida se encontra nas imperfeições: os sentimentos.

É sempre bom nos sentirmos belos. Um pouco de vaidade não faz mal a ninguém, certo? Só não precisamos nos tornar outra pessoa por isso, ou enlouquecer achando que ninguém irá nos aceitar. Todos nós somos belos em nossa essência. Lembre-se: ‘’Se não gostarmos de nós mesmos, quem irá gostar?’’.