sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Nocivo.


Quando mirou para dentro de si, estava apegado a algo que até então desconhecia. Embora duvidasse, possuía um grande otimismo e se agarrava a qualquer fiasco de esperança. Pensava que valia à pena acreditar em algo, ou não existiria razão para se estar vivo. Magia... Sua busca era infindável, ele queria a bendita magia. O descompasso do coração. Aquele sentimento infeliz que todos se agarram desesperadamente. Todos querem sentir esse infortúnio. Ele também queria, e por que não haveria de querer? Não é atrás desse mal que vivem os homens? E ele era como todos... E eu com a minha ingênua concepção de que ele não iria querer tocar no tão desejado pote d’ouro: ‘ Ninguém irá se machucar dessa vez, sem mais dramas ‘. Sem mais dramas, seria o mesmo que dizer: sem mais vida. Eu só queria saber: quem diabos o permitiu plantar esse sentimentozinho infeliz em seu coração?E não ouse dizer que fui eu, não me culpo por isso. Eu fiz o que tinha que ser feito, fiz tudo como estava escrito no manual: diga sempre a verdade. E eu disse... ‘Eu não o quero (pelo menos não mais). Eu já o vi uma vez, já o senti. Eu sei do que ele é capaz. Não deixe que a magia o engane, esqueça as melodias e as pulsações. Nada disso compensa o estrago que ele pode fazer. ’ Mas ele era teimoso o bastante para querer, e ele queria... Ah, como ele queria aquela coisa nociva denominada: amor.

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

O conto do solitário .







Descobriu que escrevia mais do que falava...Quando observou escondendo-se em um casulo, o medo de olhar por entre o véu da vida já mostrava-se real. E assim não mais ouvia, só lia e como lia. Não hesitou, sucumbiu ao abatimento. Era tarde, já o tinha visto partir. O desgosto que o prendia na escuridão e escondia sua face sob as sombras. Não resistira, era muito fraco diante da perda.Tão intensa era a lástima que se alastrava pelo ar, ofuscando o brilho do olhar. Deixando-o cada vez mais preso em um círculo vicioso. Tentava permanecer imutável. No entanto, era sensível as mudanças. Sentia o pesar da melancolia, desejava ser intransponível.Porém, tudo mudava na imensidão do exterior. Apenas lá dentro permanecia igual, mas era só tristeza. Pensava: ''Ilusório, apenas imaginação''. Entretanto, não cessava, era real! O sonho não vivido, o sentimento estava vívido. Queria que nunca houvesse visto, nascido ou existido. Assim seria menos penoso aceitar. Se não fosse tão fastidiosa e solitária a passagem, dividiria um teto a dois. Mas sabia ele que esse não era seu destino. Seria divino ou seria amado. No seu mundo não havia espaço para ambos. Escrevia. Sabia que as palavras eram suas únicas companhias.

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Na janela .



O tempo passa. Os dias se repetem, parecendo os domingos. As cenas pausadas, como num filme. Nada muda. Apenas minha respiração e a chuva quando cai. O resto está guardado naquele quadro velho como lembrança.


Enquanto meus sonhos saltam pela janela do precipício, abro mais um de meus sorrisos falsos e ignoro. Todos os outros não notam minha presença, pois, ela se disfarça em minhas palavras. A vida continua para todos, menos para mim. Continuo imóvel. Só o vento bate em meus cabelos.


Sempre fui só. Nasci sozinha, morrerei sozinha. Os outros sempre se vão ou eu os deixo ir. Todos estão presos nas suas vidas agitadas, menos eu. Estou parada na janela. Para mim sempre foi essa monotonia. Só minhas memórias me compreendem.


Não tenho recordações felizes, apenas alegria passageira. Aquela que está presente em um sorriso e que logo foge à nossa face. O incógnito que me persegue. Só meu corpo está em casa, minha alma mora longe.


Apenas os mocinhos são felizes. Os mocinhos são perfeitos. Agora eu sei porque não conheço a felicidade, não sou uma mocinha. Na verdade, a maior parte do tempo eu sou invisível. É só uma questão de tempo até alguém notar que não há ninguém em casa. Enquanto isso, apenas espero o desconhecido.

terça-feira, 9 de março de 2010

Socapa .



Olhando fixamente no espelho que nada vê,
Deparei-me com uma imagem dissimulada.
É apenas meu reflexo mascarado.
Meus olhos são como a cegueira;
Enxergam apenas uma claridade desfalcada,
A escuridão que cobre toda a pureza.
Meu coração choroso deixou que as luzes se apagassem,
E minh'alma se perdeu naquele labirinto.
A realidade está escondida debaixo desse véu incolor,
Jogá-lo-ei na imensidão do mar verde.
Deixarei que as ondas me guiem pela terra prometida.
Voarei além do céu azul e serei eternamente glorioso.
Minhas mentiras, assim como as rosas sem espinhos;
Brotarão, mas não poderão existir.

terça-feira, 2 de março de 2010

O homem marcado.


Viajas ao sabor do vento, no intuito de levar aos corações alheios o encanto de tua carne. Ser pútrido em sua forma oval, mas em suas insígnias ninguém o vê como realmente é. Olhos não tão sutis passam a me comover. Lembre-se: não é apenas um jogo. Estou te esperando em meus sonhos, assim como em todas as noites sombrias. Menino leviano, sua pele morena me atrai como ímã. Não questione o que não deve ser compreendido!

Seu sorriso peculiar acabara de me prometer o paraíso. Já não me vejo em teu rosto com as mesmas expressões anteriores. Dance comigo apenas essa música. E poderás seguir adiante.

Ao tocar tuas marcas, relembrei-me de quem fui. Sangue de um deus derrame sobre mim tua paixão. Puro veneno pronto para me enlaçar. Aguardo a resposta do telegrama que deixei sob tuas marcas. Encontro-te no bosque do amor, ao som do relampejar. Não faça com que meu coração se parta a te esperar.


Ass: Tua outra face.

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Reviravoltas.




Um sorriso triste, e uma falsa promessa de felicidade são tudo que posso te oferecer. Minhas memórias se perderam como aquele vidro quebrado na sala. Cada verso que meus lábios recitam seus olhos vetam. Penso constantemente naquele momento sórdido que vive a me perturbar, rompendo a quietude dos meus dias. Meus lábios nunca esqueceram o teu beijo. Beijo vespeiro. Tal, que, não deixou aquietar-me. Lembro-me dos teus olhos cor de mel. Viciantes. Olhos que já não me enxergam. Mas eu ainda os cobiço. Tua tristeza me abate. Tuas mãos desajeitadas tocavam as minhas como em uma sinfonia. Sinto falta dessa plenitude. Meu corpo treme quando me vejo refletida em teus olhos. Minhas mãos anseiam o toque do teu corpo. Sinto falta dos fios do teu cabelo negro roçando em meus dedos. Mil e um entraram em minha vida, e o único que deveria permanecer se foi... Assim como a brisa da manhã, deixou uma saudade escondida do que nem se quer eu vi. O amor mal amado. O querer que não quis. Deixando um vazio em meus braços. Nem se quer fui feliz. E assim, como em um jogo de flor, levou o meu amor num piscar de olhos. Do bem querer ao mal me quis.

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Retratos.


Eu vejo um rosto cansado, suplicando por um pouco de carinho.
Olho para o chão das ruas, nelas a miséria reflete nas pobres almas que lá habitam.
Barrigas murchas e chorosas, implorando por um prato de comida.
Lágrimas de dor e angústia que não cessam com o tempo.
O lixo impuro que corrompe o verde das matas virgens.
Corpos caídos em pedaços, como se fossem vidros.
Mãos esperançosas estendidas, esperando por compaixão.
Crianças solitárias correndo de pés descalços. Sem brinquedos. Sem roupas.
Apenas com a inchada nas mãos... Mãos que contam suas tristes histórias.
Pais chorando pelos filhos. Filhos chorando pelos pais.
Perdidos em uma guerra, onde não há paz!
Brancos e negros se misturando como água e óleo.
O homem que revira os lixos em busca de sustento.
A segurança insegura de um jovem com arma nas mãos.
Árvores que lacrimejam entre as chamas de ódio.
Animais que clamam por piedade com seus rostos bondosos.
Eu vejo o homem que mata. Consciente ou inconscientemente.
Eu vejo o riso do rosto que jamais riu.
Alguma vez você viu?